sábado, 24 de maio de 2008

Champignons Farcis

Cogumelos já recheados esperando o toque final do queijo Ementhal para ir ao forno


Champignons farcis prêt a manger!!!

Domingo passado recebemos Nanda, Gilberto, Arthur, Mônica e Júlio para o almoço. Só para situar, a Nanda é a mãe do Arthur, que é um dos melhores amigos do Thomas, e a Mônica é irmã da Nanda. Engraçado que a partir de uma certa fase da vida, a possibilidade de fazer amigos ocorre através das amizades dos filhos. Felizmente, algumas delas são extremamente valiosas. Com a Nanda tem sido assim. E desta vez resolvi que ia passar o final de semana na cozinha e recebê-los com uma refeição de verdade. Estava prometido, já há algum tempo, que o Frank faria uma Ratatouille, então resolvi fazer uma refeição bem à francesa. Servi como entrada uns cogumelos Portobelo recheados e como pratos principais uma maminha (que depois de marinar por mais de 12 horas, ficou cozinhando em fogo brando por mais de 3 horas) e um gratinado de batatas (mais conhecido como Gratin Dauphinois, e que postarei a receita em outra ocasião). Os acompanhamentos foram a Ratatouille do Frank e umas vagens refogadas no azeite e no alho. A sobremesa foi um bolo de maçã morno com sorvete de creme. Acho que todos ficaram satisfeitos e a cozinheira bem feliz por ver que todos gostaram de suas criações. A pedidos vou postar a receita de cogumelos recheados (ou Champignons Farcis como são conhecidos na França).

CHAMPIGNONS FARCIS

Ingredientes:
  • 8 cogumelos tipo Portobelo grandes (quanto maior, melhor para rechear)

  • 500 g de cogumelos tipo Crimini ou de Paris picados finamente

  • 250 g de bacon em lâminas picados em pedaços bem pequenos

  • Somente a parte mais clara de 2 alhos poró picados finamente (não tendo alho poró, substitua por cebolinha verde)

  • 5 colheres de sopa de azeite de oliva

  • farinha de rosca

  • queijo Ementhal ralado

  • sal

  • pimenta-do-reino preta

Modo de fazer:

Lave bem os cogumelos Portobelo, retire os pés e seque os cogumelos em papel toalha. Reserve os pés dos cogumelos grandes para serem picados junto aos cogumelos pequenos. Frite o bacon, retire toda a gordura gerada e reserve o bacon. Refogue o alho poró em 2 colheres de azeite. Quando o alho poró estiver tenro, acrescente os cogumelos pequenos picados e continue refogando por mais uns 5 minutos. Na seqüência, acrescente mais 2 colheres de azeite, sal e pimenta-do-reino a gosto. Por fim, acrescente o bacon e a farinha de rosca. Use farinha de rosca que seja suficiente para formar um refogado úmido, mas que não o deixe seco como uma farofa. Unte um refratário com azeite de oliva. Recheie cada cogumelo com o refogado e sobre cada um salpique queijo Ementhal ralado. Leve ao forno por mais ou menos 15 minutos à temperatura de 180 C. Sirva imediatamente.

PS: Para quem que saber mais sobre cogumelos, encontrei um site muito interessante. Vale a pena dar uma passada de olhos por ele.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Arroz de Carreteiro

Meu primeiro Arroz de Carreteiro
Estou vivendo no Rio Grande há mais de quatro anos, mas hoje foi o dia em que pela primeira vez preparei um Arroz de Carreteiro. Finalmente, dei vida a uma receita tirada da internet há muito tempo atrás e que nem sei mais dizer de onde veio. O fato é que a receita original é feita com charque e eu aproveitei umas sobras de costela de vaca (= sobras do churrasco do Rodrigo). Modéstia à parte, ficou uma delícia. A receita segue abaixo:
ARROZ de CARRETEIRO
Ingredientes:
  • um prato fundo cheio de sobras de churrasco (carne de costela de vaca)
  • 2 colheres de sopa de óleo de girassol ou canola
  • 1 e 1/4 de copo americano de arroz
  • 1 cebola
  • 3 dentes de alho amassados com 1 colher de chá de sal
  • 1 cubo Maggi de costela
  • 6 colheres de sopa de salsa e cebolinha picadas
Modo de fazer:

Tire toda a gordura da carne e pique-a em pedaços de tamanho pequeno. Coloque a carne picada na panela para fritar no óleo de girassol ou canola. Esmague o alho com o sal, pique a cebola e junte os dois. Quando a carne estiver começando a dourar, adicione a cebola e o alho. Frite até a cebola e o alho ficarem amarelinhos, mas não queimados. Coloque o arroz (evite lavar antes para não perder o amido do grão) e frite bem. Coloque água fervendo (eu uso duas medidas de água para cada medida de arroz) e o cubo Maggi de costela. Prove o sal e cozinhe em fogo baixo. Se precisar coloque um pouquinho mais de água fervente. Assim que o arroz estiver cozido, tire do fogo, misture umas 6 colheres de sopa de salsa e cebolinha picadas e sirva imediatamente.
Dicas: O segredo para deixar o grão soltinho é fritá-lo bem antes de acrescentar água fervente. Se quiser que o arroz fique molhadinho, coloque três medidas de água para cada medida de arroz.
As crianças comeram MUITO. Até o Thomas comeu!!! Eu, para amenizar a culpa de comer algo tão substancioso no jantar, acompanhei meu primeiro Arroz de Carreteiro com uma saladinha de rúcula e tomate.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Abril de 2008

Bolo Morango Moreno da Q-Delícia
Devido à vida louca que eu levo, acabei não conseguindo fazer sequer uma postagem no mês de abril. Hoje, primeiro de maio e feriadão nacional, resolvi que o mês de abril merecia uma postagem em sua homenagem, afinal os meses de abril são sempre ultra agitados para mim. Março termina com o aniversário do Thomas e da Isabella que desta vez tiveram festas separadas, pois os públicos não eram os mesmos. Isabella teve sua festa em um boliche só com as amigas. Thomas teve uma festa no salão de festas do prédio, toda regada a PlayStation2, muitos gummy warms e que acabou em um sleepover com os amigos mais próximos. O Dan, que não é muito dado a grandes agitos, quis uma comemoração em família, para qual ele só chamou os amigos bem próximos. Dos quatro que foram convidados, só puderam vir o Giovanni e o Dângelo. A festa foi a base de Pizza Hut, muita Pepsi Cola e coroada pelo Bolo Morango Moreno da Q-Delícia. Só para fazer um esclarecimento sobre a cultura regional do Rio Grande, aqui bolos de aniversário são denominados TORTA. Portanto, se alguém for comprar um bolo de aniversário por aqui e chamá-lo de bolo, imediatamente será reconhecido como um "estrangeiro". Este bolo (insisto em chamá-lo de bolo!!!) é basicamente um bolo de chocolate, leite condensado, morango e chantily e é um hit aqui na região.
Entre todas estas comemorações, o trabalho corria solto: um aluno fazendo qualificação de mestrado, artigos para escrever, um projeto para ser apresentado à comunidade, ...... Depois de tudo isso, o mês já estava chegando ao final e eu sem chegar muito perto do fogão e muito menos perto do Receitas, Pessoas e Histórias. Finalmente, no final de semana passado, o Rodrigo e a Luciana (afilhados queridos de casamento) resolveram fazer um churrasco aqui em casa e eu fiquei encarregada de fazer a salada de batatas.
Rodrigo, o assador profissional!!!
E já que era para fazer alguma coisa, resolvi por em prática uma receita de salada de batatas diferente, com vagens, nozes e queijo Roquefort, que há muito tempo atrás eu havia provado na casa da Stephanie King, uma amiga americana que mora em Livermore, uma das cidades em que também moramos durante nossa aventura californiana. A receita é da revista Bon Appétit e pode ser encontrada no site Epicurious. Este site é um deleite para os amantes da culinária. Quem quiser achar a receita deve procurar por: "Potato salad with haricots verts, roquefort and walnuts". O resultado da minha experiência pode ser visto na foto abaixo. O interessante desta receita é que as batatas são assadas em um vinagrete de mostarda. Vale a pena arriscar.

Salada de batatas com vagens, nozes e queijo Roquefort e churrasco do Rodrigo: costela de vaca e fraldinha. Vegetarianos que me perdoem, mas estava UMA DELÍCIA!!!
Por fim, chegou o feriado de primeiro de maio tão esperado pelos trabalhadores incansáveis, e assim, eu voltei ao fogão para atender a pedidos da galera que clamava por um Chili com Carne.

Chili com Carne


Chili com Carne é muito fácil de fazer. Cozinhei o feijão vermelho separadamente e também à parte refoguei a carne moída com um pouquinho de alho esmagado com sal (o alho não faz parte da receita original!!!). Quando a carne estava pronta, juntei uma lata de tomates inteiros que foram picados em 3 a 4 pedaços, uma caixinha de Pomarola, dois pacotes de Chili Powder McCormick e o feijão cozido. Deixei esta mistura cozinhar por mais uns 15 minutos para que os sabores pudessem se misturar por completo e aí foi só chamar a galera que se deliciou com esta comida mexicana que eles comiam muito quando morávamos na Califórnia. Ah, e quem disse que estômago não tem memória e não sente saudade?

sábado, 29 de março de 2008

Frutos de Floripa 2

Antepasto de Sardinhas Frescas

Cá estou eu de volta. A última postagem havia sido no verão e agora já é outono. Time flies!!! Permitam-me um pequeno desabafo: passei quase o sábado inteiro preparando um gabarito para uma lista de exercícios sobre força elétrica e campo elétrico. Tudo isso porque o livro-texto da disciplina mudou e eu estou tendo que resolver uma montanha de exercícios novos. Obviamente tudo seria mais simples se a editora já tivesse me enviado o CD com o manual do professor, mas até agora nada e já estamos no dia 29 de março, ou seja, um quarto do semestre letivo já se foi . Parece brincadeira!!! Para mim todo começo de semestre é um pouco estressante (ou seria melhor dizer "bastante estressante"), mas este começo de semestre está sendo especialmente bravo!!! E na necessidade de relaxar, quer coisa melhor do que cozinhar?


Para minha felicidade, ontem à noite, resgatei das profundezas do freezer umas sardinhas que trouxe de Floripa e hoje dei vida a uma daquelas receitas que eu costumava fazer com freqüência quando morava em Sampa, pois eu podia comprar sardinhas frescas todos os domingos pela manhã na feira pertinho da minha casa. Que saudade da feira da Avenida Lavandisca!!!


E já que a nostalgia se instaurou, vale a pena dizer que são muitos os odores e os sabores instalados em minha memória. Falta-me tempo para resgatá-los (ai hoje é dia de reclamação!!!). A receita que vou registrar hoje é uma daquelas que passou da mãe da minha mãe (a avó Maria Villas Boas) para a minha mãe (a Marina) e que eu cresci tendo o prazer de compartilhar. Ela nunca foi escrita em lugar algum, somente praticada. Hoje ela ganha um registro digital. Vamos a ela:


ANTEPASTO de SARDINHAS FRESCAS
Ingredientes:

  • 7 filés de sardinhas frescas (=sardinhas sem escamas, sem cauda e sem barrigada)
  • 1 cebola grande cortada em rodelas
  • 2 tomates grandes sem pele cortado em rodelas
  • 2 cenouras pequenas e fininhas cortada em rodelinhas
  • ramos de salsa
  • 2 dentes de alho picados e amassados com 1 colher de chá de sal
  • 1/2 xícara de vinagre de vinho branco
  • 1 xícara de azeite de oliva extra-virgem

Modo de fazer:

Abra os filés de sardinha e lave-os muito bem em água corrente tirando qualquer sobra de barrigada ou escamas. Retire o excesso de água dos filés com papel toalha, feche os filés e reserva. Coloque 1/4 da xícara de azeite de oliva em uma panela de pressão (pode ser aquelas de 4,5 litros). Coloque no fundo da panela uma camada com todas as rodelinhas de cenoura e em seguida arranje os filés de sardinha sobre as cenouras. Minha memória sempre me leva a colocar 5 sardinhas na mesma direção e duas em posições opostas na direção oposta*. Na seqüência coloque as rodelas de tomate e as rodelas de cebola. O alho amassado com o sal deve ser misturado ao vinagre e esta mistura deve ser despejada sobre os ingredientes que já estão na panela. Por último coloque os ramos de salsinha e regue com o restante do azeite de oliva. Leve ao fogo alto por uns 5 minutos até que os líquidos levantem fervura. Neste momento, fecha-se a panela de pressão e cozinha-se por uns 15 minutos, dos quais uns 5 minutos será com a panela de pressão a pleno vapor. Depois deste tempo abre-se a panela e cozinha-se por mais uns 10 minutos em fogo bem alto para eliminar o excesso de vinagre. Pode-se servir morno ou gelado com uma baguette bem fresquinha e crocante. É uma delícia!!!

*Caso queira fazer uma porção maior use 14 ou 21 sardinhas para manter o padrão de organização das sardinhas dentro da panela. O difícil vai ser explicar para o seu peixeiro o porquê você quer 7, 14 ou 21 sardinhas. No meu caso vai ser difícil explicar para as pessoas que vão ler esta postagem que o padrão de organização das sardinhas dentro da panela não é uma manifestação da minha loucura. Bom, mas isto já é uma outra história.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Feira Ecológica de Caxias do Sul

Marcos Palmeira visitando a nossa Feira Ecológica!!!

Berinjela Recheada
Mãe e filha vendendo saladas e legumes freesquíssimos

Meus super amigos da feira: da esquerda para a direita, Leandro e Gerson (os alemães) e Ivan (o italiano)

Barraca de ervas e uma visão maravilhosa de muitos ramos de camomila

A Prefeitura de Caxias do Sul, na gestão de Pepe Vargas (1997-2004), construiu, em parceria com a comunidade agrícola, um modelo de desenvolvimento que tem permitido a melhoria da qualidade de vida dos agricultores, mantendo e gerando empregos, aumentando a renda e evitando, assim, o êxodo rural. Pepe é um médico homeopata muito interessado em questões ecológicas e foi durante sua gestão que foi criada a Feira Ecológica de Caxias do Sul. Pepe acreditava que o estímulo ao desenvolvimento da agricultura ecológica garante a saúde dos agricultores, dos consumidores e preserva o meio ambiente. E assim, através do Programa de Estímulo à Agricultura Sustentável foi criada a Feira Ecológica, que conta atualmente com a participação de 33 famílias. Mas o cultivo de orgânicos vai além do manejo amigável ao meio ambiente. Em nível mundial, já existe um movimento para resgatar e preservar as variedades tradicionais de plantas, no sentido de deter a erosão genética provocada pelo uso indiscriminado de agrotóxicos e pela prática da monocultura. Os agricultores e agricultoras familiares ecologistas têm assumido esta grande responsabilidade que é a preservação da biodiversidade.
Este assunto me fascina, assim como a Feira Ecológica de Caxias do Sul. Ir a esta feira é um dos meus programas favoritos. Até o Marcos Palmeira já visitou a nossa Feira Ecológica!!! Todos os sábados pela manhã e todas as quartas-feiras logo após o almoço eu vou comprar minhas verduras, legumes, frutas fresquíssimas e sem agrotóxicos e meu sagrado queijo orgânico. Depois de mais de quatro anos comendo estas delícias, é fácil notar como o sabor e a textura de um alimento orgânico é diferente de um alimento cultivado com agrotóxicos. As cenouras e as bananas são pequenas e super doces, os morangos também são pequenos e saborosíssimos, os legumes ao serem cozidos não se desmancham como manteiga. Toda vez que vou para Sampa e vejo aquelas bananas gigantes nas fruteiras do povo lá de casa, eu quase perco o apetite. Enfim, a Feira Ecológica é um dos privilégios de quem mora aqui em Caxias do Sul. Ela é tão boa ou melhor do que qualquer Whole Foods e com a vantagem dos preços dos produtos serem muito menores. É um lugar para comprar alimentos saudáveis e para se cultivar amigos. Também é um lugar para se aprender que não é possível comer laranja, morangos ou berinjela o ano todo. E por falar em berinjela, agora estamos na época da berinjela. As barracas estão cheias desta fruta de cor extravagante que comemos como se fosse um legume. E eu, pessoalmente, adoro berinjela. Preparo as poderosas frutas de várias maneiras. Aliás, já postei aqui uma receita de Antepasto de Berinjela (ver postagem de 2 de janeiro de 2008). Hoje vou falar da receita das "Berinjelas Recheadas". O resultado ficou uma delícia e nos proporcionou um jantar leve e saudável. Então, vamos à receita:

BERINJELAS RECHEADAS


Ingredientes:

  • 4 berinjelas médias
  • 4 tomates sem peles e sem sementes picados em cubinhos
  • 1 cebola grande picada em pedacinhos bem pequenos
  • 4 dentes de alho picados em pedaços grandes e amassados
  • ½ xícara de azeitonas pretas picadinhas
  • cebolinha verde picadinha
  • ½ xícara de azeite de oliva extra virgem
  • sal a gosto

Modo de fazer:

Lave as berinjelas, corte as pontas, abra-as no sentido do comprimento e com uma colher de sobremesa retire a maior parte da polpa de 6 metades das beringelas. Salgue as metades das berinjelas e deixe-as soltar sua água. A quarta berinjela deve ser descascada e picada em pedacinhos pequenos, assim como a polpa que foi retirada das outras três berinjelas. Em uma frigideira doure o alho e a cebola no azeite. Em seguida junte a berinjela picadinha e os tomates e cozinhe em fogo médio por uns 10 minutos. Salgue a gosto e acrescente as azeitonas e a cebolinha verde. Reserve este refogado.

Enxágue e seque as metades das três berinjelas e em seguida recheie cada metade com o refogado. Besunte um refratário com azeite, bem como a parte da casca de cada metade das berinjelas e ajeite-as no refratário. Leve ao forno por 15 minutos e sirva com uma saladinha. Claro que as crianças acharam horrível, mas para elas havia um arrozinho básico com um strogonoff de frango.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Frutos de Floripa 1

Lagostins em seus momentos finais de preparo


Lagostins à l´Américaine


Domingão: dia de ir para o fogão!!! (Que rima pobre!!!) Enfim, licenças poéticas à parte, o caso é que hoje preparei uma das maravilhas que trouxe na minha bagagem extra que veio de Floripa. As maravilhas escolhidas foram os lagostins (crawfish em inglês, langoustin em francês). Ontem à noite, passei um tempão consultando meus livros de culinária à procura de uma receita para lagostins e não vi quase nada que me agradasse. Também consultei a internet e a oferta de receitas para estes integrantes da família dos frutos do mar está longe de ser farta. Enfim, não contente com o resultado da minha pesquisa resolvi adaptar. Aliás, adaptar é uma das palavras que eu mais uso na minha prática culinária. Lembrei-me que há muitos anos atrás, no tempo em que eu fazia pos-doc em Grenoble, eu tive o prazer de degustar uma maravilhosa lagosta na casa de meus grandes amigos, Michel e Colette, intitulada "Homard à l´Américaine". Colette foi sem dúvida uma das maiores inspirações para esta minha fascinação pela boa comida. Mas a Colette merece uma ou mais postagens só para ela e Michel uma só para ele. Hoje, vou falar dos meus "Lagostins à l`Américaine". Para prepará-los "à l´Américaine" consultei dois livros: The New York Times Cook Book do Craig Claiborne e o Mastering the Art of French Cooking da Julia Child et al.

Mas o que quer dizer o termo "à l´Américaine"? Segundo Claiborne and Child a origem do termo "à l´Américaine" é um assunto de grande controvérsia. Algumas "autoridades" chamam de "à l´armoricaine", em homenagem à antiga província de Armorique na Bretanha onde as lagostas são muito comuns. Outras dizem que armoricaine não faz sentido porque tomate não é um ingrediente típico da cozinha bretã e que a receita deve mesmo é ter sido inventada por um chef parisiense com inclinações provençais que deu este nome ao prato ou porque ele o serviu a um cliente americano, ou devido às origens exóticas (e americanas) do tomate.

Bem, mas qualquer que seja a verdadeira história sobre a identidade desta receita, o fato é que a que eu comi anos atrás era uma delícia. Acabei ficando com a receita do Claiborne e o resultado foi muito bom. Lá vai a receita:


LAGOSTINS À L´AMÉRICAINE
Ingredientes:

  • 1 kg de lagostins (segundo Claiborne deveriam estar vivos, mas os meus estavam mortos e congelados!!!)
  • 1/4 xícara de azeite de oliva extra virgem
  • 3 colheres de sopa de manteiga sem sal
  • 1 cebola média picada em pedacinhos bem pequenos
  • 4 dentes de alho picados em pedaços bem pequenos e amassados (Claiborne mandou colocar 1 dente, mas vocês já sabem não é? ADORO alho!!!)
  • 6 tomates maduros, sem pele e sem sementes, picados em pedaços super pequenos (na pressa pode-se usar uma lata de tomates inteiros com o seu suco)
  • 1 colher de chá de estragão (usei seco, pois eu não tinha fresco)
  • 1/2 colher de chá de tomilho (também usei seco)
  • 1 folha de louro (que deve ser tirada antes de servir)
  • 3/4 de xícara de vinho branco seco de boa qualidade (NUNCA coloque em sua comida um vinho que você não beberia)
  • 1/4 de xícara de conhaque
  • pimenta e sal a gosto
  • 1 pitada de açúcar (isto é por minha conta, para tirar a acidez do tomate)

Modo de fazer:

Lave bem os lagostins, tire as cascas (cuidado, pois são repletas de regiões pontiagudas) e a tripa (que aparentemente pode tornar os lagostins uma refeição indigesta quando não retirada), mas deixe as caudas. Eu deixei 3 lagostins com as cascas para decorar. Em uma frigideira grande, aqueça o azeite e adicione os lagostins. Refogue em fogo alto até que as caudas fiquem vermelhas e a carne ligeiramente branca, ou seja, mais ou menos uns 5 minutos. Transfira os lagostins para um prato quente e reserve.

Na mesma frigideira aqueça a manteiga e doure o alho e a cebola até que a cebola fique bem amarelinha e transparente. Adicione os tomates, o estragão, o tomilho, o vinho, o açúcar e a folha de louro e cozinhe em fogo baixo por mais ou menos 1/2 hora. Tempere com pimenta e sal.

Regue os lagostins com o conhaque e flambe. Junte ao molho na frigideira e cozinhe em fogo baixo por mais 10 minutos. Sirva com arroz tailandês e vagens refogadas no azeite.

Segundo a galera aqui de casa a primeira aventura culinária com os frutos vindos de Floripa foi um sucesso!!!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Aprendiz de Feiticeira

Macarrão aos seis queijos feito a quatro mãos

Jantar na nossa casa depois de uma tarde na escola e/ou no treino de basquete tem de ser substancioso: nada de grandes receitas nem refinamentos, pois a galera quer mesmo é quantidade de alguma coisa que lhes dê muito prazer. E assim foi esta noite. As aulas começaram ontem, e como sempre Thomas e Isabella (meus filhos gêmeos que vão completar 9 anos no final de março) voltam no final da tarde mortos de fome. O Dan começou os treinos de basquete na 4a. feira e dele eu já falei, ele é o adolescente faminto. Já estava ficando tarde e os humores se alterando, então estava na hora de agir e rápido. Para fazer a coisa toda de forma mais rápida, pedi a ajuda da Isabella, que vestiu seu avental holandês e perguntou o que devia fazer. Pedi a ela que cortasse em pequenos pedacinhos um certo número de diferentes queijos, tarefa que ela desempenhou com maestria. A cada queijo que ela cortava, ela provava um pequeno pedacinho e ia dando sua opinião sobre qual queijo lhe agradava mais. Enquanto ela cuidava dos queijos, eu cuidava da cebola e do alho. E assim criamos a quatro mãos o nosso "Macarrão aos Seis Queijos" que foi devorado com grande entusiasmo por todos. Que momento mais gostoso tivemos Isabella e eu!!! Prá quem quer um prato substancioso e nada light para o jantar, lá vai a receita:

MACARRÃO AOS SEIS QUEIJOS

Ingredientes:

  • 1 pacote de macarrão tipo parafuso (porque o queijo fica nas voltinhas do parafuso!!!)
  • 100 g de queijo tipo provolone
  • 100 g de queijo tipo mussarella
  • 100 g de queijo tipo prato
  • 100 g de queijo tipo parmesão em pedaço
  • 100 g de queijo tipo Cheddar
  • 50 g de queijo tipo gogonzola
  • 1 cebola média picada em pedacinhos bem pequenos
  • 4 dentes de alho picados em pedaços grandes e amassados (nunca esqueçam: ADORO alho!!!)
  • ½ xícara de azeite de oliva extra virgem
  • 1 cubo de caldo de galinha
  • 1 colher de chá de orégano
  • ½ copo de leite
  • 1 caixinha de creme de leite (eu uso creme de leite fresco, conhecido aqui nos Pampas como nata)

Modo de fazer:
Em uma panela aqueça ligeiramente o azeite e doure o alho e a cebola por no máximo uns dois minutos sem deixar ficar amarronzado*. Junte o cubo de caldo de galinha, o orégano e o leite. Quando esta mistura estiver aquecida junte o creme de leite, mas tome o cuidado de não deixar ferver, para não desandar o creme de leite. Enquanto isto cozinhe o macarrão, pois o molho se faz bem rapidinho. Uns dois minutos antes de terminar de cozinhar o macarrão adicione todos os queijos picados à mistura e aqueça tudo em fogo brando. Assim que o macarrão estiver cozindo junte ao molho e mexa tudo delicadamente. Sirva imediatamente, pois afinal a esta altura alguém já pode ter trucidado alguém. E depois de comer o macarrão todos desfrutam uma noite de paz e serenidade. Na medida do possível é claro!!!

*Sendo repetitiva: tenha cuidado para não torrar o alho, deixando-o escurecer, quando fritando em óleo ou azeite, pois quando torrado o alho se torna amargo, com sabor desagradável.